Um Dede quase Zacarias

Confesso que tirei a inspiração para escrever sobre esse assunto em outro blog… mas não vou abordar da mesma forma, afinal, tenho minhas experiências a respeito. E não queria um blog que fosse meu diário.

A última vez que realmente sentei na cadeira do barbeiro para cortar os cabelos foi em outubro do ano passado, depois de querer dar uma mudada na cara de quem acabou de tomar um fora, como eu bem queria fazer com celular, armário, roupas, tênis, quarto, casa, carro e tudo mais. O famoso “corte epistemiológico” versão relacionamento.

Pois bem, estava eu, fulo da vida com o tal acontecimento e resolvi entrar num barbeiro, próximo do prédio onde faço estágio.

Não devo ter esperado mais do que 5 minutos para o tiozinho me chamar, e provavelmente passei o tempo ouvindo alguma música de fossa no Queridão (meu iPod).

O barbeiro colocou o avental, botou meus óculos sobre a bancada e simplesmente começou a cortar, sem soltar a pérola: “Como você vai querer?”.

Confesso que rolou um receio, mas, já que tava lá, no máximo seria mandar ele passar a máquina, se não ficasse bom. E não é que ficou bom?!

Passado esse tempo todo, fui ao barbeiro apenas para dar um tapa no pezinho, pra já citada festa de formatura. E desde então, os cachos começaram a se rebelar na minha cabeça.

Hoje voltei lá, e o tal do sr. Salvador não se lembrava do feito (óbvio, quantos caras ele não deve atender ou ter atendido nesse tempo todo?!), mas dessa vez ele soltou a famigerada. Pedi para ele fazer um corte clássico e deixei.

Quando ele terminou, me entregou os óculos, e a primeira vista teria ficado bom. Foi então que ele sacou aquele espelho para poder ver a nuca, o cocuruto e a lateral, e soltou: “Segura o espelho pra ver de perto, vejs se ficou bom”.

Como de praxe, tive um diálogo sobre minha futura calvície de padrão masculino, também conhecida como alopecia androgenética:

- Ta muito ralo aí em cima?

- Não senhor, ta assim, “meio ralo”.

- Ralo?!

- É, ta meio fininho.

- Ah tá, normal então.

- O sr. precisa tomar vitamina A, comer alimentos como beterraba, tomate… olha, o pessoal vai nesses restaurantes por quilo e fazem um pratão (sic) bom!

- É, eu sei, já faço tratamento… na verdade desde os 18 anos!

- Ah ta, entendi.

Nisso me despedi e agradeci a “consulta” e paguei os honorários profissionais.

Mas antes disso, confesso que pensei que voltaria ao barbeiro e seria como eu imaginava quando era criança, nos idos anos 80. Por ter esperado uns 15 minutos, ter visto o final do jogo da seleção na tv (visto por que continuava ouvindo o Queridão, desta vez, era Chet Baker), e fui procurar uma revista masculina, mas tive que me contentar com uma Revista da Folha, de 30 de abril de 2006, cuja primeira página estava rasgada ao meio e faltando a parte inferior.

Quando criança, minha madrinha cortava meu cabelo, que não tinha um corte muito diferente de hoje, com a apenas era muito mais volumoso, que me deu, algumas vezes, a alcunha de repolho, sabe-se lá qual a inspiração, pra quem tem apelido de “bisoro”, ta tudo tranqüilo! Vai ver o estilo era a moda daquele momento, coisa que não sigo muito.

A primeira vez que fui ao barbeiro, tinha 7 anos. Seria pajem (é isso mesmo?!) no casamento da minha tia! Confesso que fui tomado da sensação de ser “homenzinho”, afinal, iria a um lugar onde os homens cortam os cabelos e fazem as barbas! Lá vi um bando de cara vestido de branco, umas mulheres fazendo as unhas dos caras, tocava Ray Conniff e tinha umas revistas largadas, dentre elas umas Playboys, que meu pai resolveu mostrar pra mim, que nem sabia que pra que raios servia uma revista de mulher pelada (ainda bem que descobri mais tarde!).

Por ser muito caro pra cortar o cabelo de um pirralho, fui algumas vezes, e me recordo de uma que fui pra raspar os ditos cachos, pois tinha pego piolho durante as férias.

E comecei a acompanhar minha mãe e minha irmã, que iam a lugares para mulheres mas cobravam mais barato pra cortar os cabelos de crianças. Ou então ia a lugares baratos, afinal, eu tava pouco me lixando pro cabelo, queria mais saber de zoar com meus amigos.

Até eu completar 17 anos e resolver acompanhar a modinha do topetinho, em 1999. Eu era surtado, ia ao barbeiro, sim, aquele mesmo, mensalmente. E então eu conheci o Soho e a massagem pós-lavada. Ê delícia! Ia mais por conta daquelas porradas nas costas do que pelo corte. Também foi nessa época que descobri que a calvície chegaria e não tardaria, e virei adepto da Finasterida.

Daí, por estar trabalhando, mantive o cabelo tradicional, repartido do lado e baixo. Até que tive aula de direito do trabalho, e aprendi que a porra daquele código de conduta e vestimenta deve ser usada como aconselhamento, e não como regra, e não enseja demissão por justa causa!

Maravilha, voltei a usar o cabelo mais comprido, cachos para esconder a provável falta de cabelos, e com a pegadinha atrás, era bom pra beijar!

Mas hoje senti invejinha, vi um cara fazendo a barba antes de mim, e pensei por que cargas d’água os caracteres secundários desenvolvidos pela testosterona pararam nos pêlos do corpo e não alcançaram minha barba!? Tudo bem, não conheço nenhuma mulher que reclamou por eu não ter, mas é melhor do que me sentir um bagre, se eu deixar só o bigode! Ou ainda, ter que usar barbeador pra tirar isso diariamente.

Bom, o segundo post que pensei de um jeito e saiu de outro. Espero melhorar com o tempo.

Enquanto isso, vou procurar a mp3 da “Nós, os carecas” pra botar no celular, logo em breve.

pH = 7,0

~ por dede em Março 26, 2008.

2 Respostas to “Um Dede quase Zacarias”

  1. Gostaria de me sentir um bagre às vezes… melhor do que me dar conta que a minha própria barba me irrita depois de 2 dias sem apará-la.
    Só pra controle, alguns anos atrás entrei num barbeiro desconhecido em Belo Horizonte (troco de barbeiro como se trocasse de sapato) e sem querer me dei conta que o Tostão estava do meu lado, logo eu que nunca acompanho futebol. Foi legal conversar com o cara, e foi muito mais interessante do que quando eu era um pirralho (quando eu era pirralho achava que tostão era uma moeda mais difícil de achar do que centavo, mas que valia menos…).
    Quem sabe você não encontra o Casa Grande numas de suas desventuras?

  2. BAGRE!!!
    Essa foi a palavra!!
    hahaha

    Obrigada pela gargalhada

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