Quero ir a uma formatura de jeans!
Pensei muito sobre qual seria o primeiro texto para “inaugurar” este blog… escolhi algo efêmero e talvez já discutido várias outras vezes, afinal, “nem só de pão vive o homem”, e de leve leitura, que surgiu de uma piada entre amigos na última festa de formatura da galera, quando o namorado de uma amiga e eu, quase que telepaticamente, expressamos a nossa vontade de trajarmos camisetas/camisas, calças jeans e tênis na celebração. Confesso que os tênis eu levei numa sacola apartado. Ele se arrependeu, mais ainda porque eu estou habituado a usar este tipo de roupa para trabalhar, e ele não. É um sortudo.
Muito já se foi discutido pela mídia e pelos absurdos que acontecem, mas o “terno” continua aí. “Terno” porque não assume a original acepção da palavra, que remete a três, em latim, e atualmente se usam apenas duas peças. Terno é composto de paletó, colete e calças. Acredito que por economia de tecido ou por conta do clima predominantemente quente, já que não consigo mais pensar na definição ensinada na escola, aboliu-se o colete, que só aparece em novela de época da Rede Globo.
Tal indumentária deveria ser restrita por lei em nosso país. Imagino o sofrimento de um juiz em qualquer estado mais próximo do Equador (a linha), para exemplificar o máximo extremo que podemos indicar, sem mencionar as cidades da região da floresta amazônica. É o mesmo que aquele coitado que se sujeita a vestir de papai Noel no Natal para ganhar uns trocados. O traje ficaria proibido fora de festas de debutante, que facilita a mistura dos adolescentes; das festas de formatura, porque esconde as diferenças entre as famílias; dos casamentos, ainda que não seja raro encontrar alguém que não use; dos funerais, que só vi na televisão, batizados, em que os padrinhos mais estilosos usam; e empresários de grandes empresas, que utilizem diariamente ou para aparecerem em meios de grande circulação e prestígio.
Talvez proibir seja outro ato censurável… Tem gente que não se incomoda em usá-lo e já está habituado… veja o caso dos nossos políticos e seus códigos… afinal, mudaria muito o Clodovil ter ou não ido de terno quando aconteceu aquele qüiproquó ano passado, não? Aliás, justo ele, tão entendido de moda quanto a Glória, a autora de vários livros sobre este tema! E pensar que hoje há a preocupação com ternos de 2, 3, 4 ou 6 botões, o corte, o tecido, as camisas e gravatas, se estão na moda…
Quem, em sã-consciência, obriga as pessoas a utilizarem as roupas sociais? Aliás, existem roupas não sociais?! Ou alguém acredita que apareceriam figuras utilizando fantasias de sex-shop numa festa de debutante ou de formatura?!
Concordo que eu fico bem por conta do porte, chama atenção, me sinto elegante, às vezes me achando até demais, mas tem dia, e são mais comuns do que se imagina, que eu gostaria de poder sair de camiseta, calça jeans e tênis. Acredito que muitas das mulheres também, afinal, não é raro encontrar alguma com “roupa social” e tênis.
É raro não me encontrar em transporte público durante a semana, a não ser que eu esteja em “diligência”. Hoje já não sei se por praticidade ou por falta de opção. Digo falta de opção por não ter carro e não querer pagar estacionamento onde quer que eu fosse parar o mesmo. Também posso dizer por praticidade por não ter que me atentar ao tráfego, ao sinal, ao motoboy passando do meu lado e quase levando meu espelho retrovisor. E também por ser agraciado e muitas vezes enfrentar o contrafluxo, ainda mais no metrô.
A associação destes dois temas é simples: por ser praticamente um suplício usar o terno numa cidade como São Paulo. Não para quem usa transporte público, que sofre com o calor da má-ventilação. Eu acabo de me arrumar de manhã, perfumado a sabonete ainda e em 15 minutos e 3 estações de metrô de novo, estou tão molhado quanto um maratonista! Ainda bem que existe anti-transpirante para salvar as convenções sociais e o convívio. =P
Sinceramente, aconteceram tantas coisas nas últimas 24h que esse texto, que comecei a digitar ontem, já não sairá como deveria… Acho melhor terminar aqui e inaugurar logo o blog.
no momento da postagem, pH = 8,5

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